Em 1713, o administrador de minas Hans Carl von Carlowitz escreveu um manual sobre florestas.
Ele cuidava das minas de prata de Freiberg, na Saxônia, onde a madeira para galerias e fornalhas era cortada mais rápido do que as árvores conseguiam repor.
Em Sylvicultura Oeconomica, defendeu uma regra simples, nunca extrair mais do que a floresta consegue regenerar, e usou a palavra Nachhaltigkeit para descrevê-la. É a raiz do termo que hoje chamamos de sustentabilidade.
Trezentos anos antes de existir ESG, a sustentabilidade já nascia como ferramenta de gestão de risco, a forma de proteger uma cadeia produtiva inteira de um colapso real. É o mesmo padrão por trás das quatro pautas desta edição.
Conflito armado pressiona a energia, seca severa transforma floresta em combustível na Amazônia, uma norma de qualidade passa a cobrar risco climático de forma mais explícita e o Congresso muda a jornada de trabalho com cronograma apertado: quatro sistemas diferentes, com a crise já em curso.
Para quem lidera compliance, ESG, SGI ou GRC, é o momento de mostrar valor: esse cenário é a melhor vitrine que a gestão de risco tem diante do board.
Encaminhe este Radar para quem também precisa enxergar essa urgência agora. E, ao final, conte o que achou: sua opinião orienta as próximas edições.
Manaus amanheceu coberta de fumaça nas últimas semanas: qualidade do ar entre as piores do país e 2,3 milhões de habitantes usando máscara por recomendação da Defesa Civil.
O Amazonas teve mais de 3.700 focos de calor em setembro, quase quatro vezes o registrado em setembro de 2025, segundo o monitoramento do Inpe.
A causa não é só o El Niño, que reduziu as chuvas do trimestre a 44 milímetros ante os 202 esperados: é também um desenho regulatório que facilita o acesso à queima e demora para freá-la.
Desde junho, uma resolução do Conama permite autorizar queima controlada por simples adesão e compromisso; já a proibição total do fogo só veio em decreto estadual em 9 de setembro, quando agosto já somava mais de 2.200 focos.
Entre o acesso facilitado e a resposta atrasada, o resultado foi incêndio fora de controle, rede de saúde pressionada e logística prejudicada pela fumaça, mesmo com o desmatamento direto no menor nível da série histórica, segundo o MapBiomas.
Empresas ligadas à Amazônia Legal sentem esse risco na saúde das equipes e na rastreabilidade de fornecedores em áreas de queimada, tema que o CBAM europeu já cobra. O módulo de Gestão de Fornecedores da Greenlegis transforma esse risco em indicador monitorado.
Dívida da crise energética para o FMI e Banco Mundial
Entre 12 e 18 de outubro, o FMI e o Banco Mundial se reuniram em Bangcoc sob um tema fora do roteiro: o choque de energia do conflito entre Estados Unidos e Irã, que pressiona o fornecimento global de petróleo e gás, segundo a cobertura do encontro.
O FMI descreveu duas forças opostas: energia mais cara e demanda turbinada por inteligência artificial.
Para economias importadoras, a conta chegou em inflação mais alta e menos espaço fiscal.
O pano de fundo pesa: o Banco Mundial retirou em junho sua meta histórica de 45% dos recursos em financiamento climático, logo quando o próprio custo do capital subiu.
Nesse cenário de crédito mais caro, relatório de ESG bem estruturado e meta corporativa documentada viram evidência de gestão de risco madura, o que pesa no acesso a capital em condições melhores.
Organizar essa evidência com antecedência separa quem negocia de posição de força de quem corre atrás de relatório. A Greenlegis, além de apoiar sua empresa a responder ao GRI, também apoia a certificação ISO 50001, de eficiência energética, que reduz custo operacional quando a energia pesa mais no caixa.
A ISO 9001 fala mais alto sobre clima
A nova versão da ABNT NBR ISO 9001, publicada na última semana, é descrita como evolução, não revolução, mantendo foco no cliente e melhoria contínua.
A diferença que mais interessa à agenda ESG não é nova, mas se intensifica: a versão anterior já exigia, desde uma emenda de 2024, avaliar se as mudanças climáticas eram pertinentes ao sistema de gestão.
A versão 2026 aprofunda isso: a pertinência climática passa a valer também para partes interessadas e objetivos da qualidade, e entra no escopo de auditoria.
O pensamento baseado em risco, já central na norma, ganha reforço: análise mais proativa, não só lista de riscos. Quem certifica pela versão 2015 tem janela de transição de cerca de três anos, mas começar cedo evita acúmulo de pendências perto do prazo.
A exigência de avaliar riscos climáticos na qualidade aproxima a ISO 9001 da análise de materialidade, hoje restrita a relatórios de sustentabilidade. Organizar essa transição com antecedência evita correr contra o prazo quando o auditor pedir evidência documentada.
O fim da 6x1 já tem cronograma
O Senado aprovou a PEC 221/19, que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
A mudança é escalonada: dois meses após a publicação da emenda, a jornada cai para 42 horas e passa a valer a segunda folga; em 14 meses, chega a 40 horas.
No campo operacional, o divisor da hora trabalhada cai de 220 para 200, encarecendo a hora extra, e cláusulas de acordo coletivo incompatíveis perdem eficácia já no segundo mês, levando empresas e sindicatos a renegociar escalas, banco de horas e compensações.
A plataforma da Greenlegis ajuda a mapear esses vencimentos por unidade e categoria, reduzindo o risco de passivo trabalhista.
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