Manter contratos com fornecedores que enfrentam problemas de integridade (como investigações de corrupção, fraudes, irregularidades financeiras ou processos de recuperação judicial) coloca a sua empresa em risco. Eles podem atingir a reputação, a continuidade da operação e até gerar responsabilização jurídica indireta.
É por saber dessas consequências que muitas corporações têm exigido processos cada vez mais robustos de due diligence e monitoramento de terceiros.
Neste artigo, você entenderá os principais riscos de contratar fornecedores envolvidos em escândalos ou sem histórico de integridade.
Entre os principais riscos de não monitorar fornecedores estão a associação e a responsabilização indiretas por eventuais atos ilícitos praticados por terceiros.
Casos que exemplificam esses riscos são comuns na mídia, com empresas sendo responsabilizadas por irregularidades de seus fornecedores.
Isso confirma a importância de um processo de gestão da cadeia de suprimentos, componente essencial de compliance e governança, já que falhas de parceiros podem comprometer a reputação e trazer consequências legais para a organização contratante.
Diversos marcos regulatórios e normas de compliance reconhecem que organizações podem ser responsabilizadas quando mantêm relações comerciais com fornecedores envolvidos em irregularidades, especialmente quando não adotam mecanismos adequados de prevenção.
No Brasil, a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) estabelece a responsabilidade objetiva das empresas por atos contra a administração pública, inclusive quando esses atos são praticados por terceiros que atuam em seu benefício.
Isso significa que uma empresa pode sofrer sanções administrativas e civis mesmo que o ato ilícito tenha sido cometido por um parceiro, fornecedor ou representante.
O Decreto nº 11.129/2022, que regulamenta a Lei Anticorrupção, reforça que programas de integridade devem incluir mecanismos de avaliação e monitoramento de terceiros (Art. 57).
Outro risco frequentemente negligenciado é a interrupção de atividades da empresa.
Quando um fornecedor enfrenta investigações, escândalos públicos ou dificuldades financeiras graves, sua capacidade operacional pode ser comprometida. Isso pode levar a situações como:
Se esse fornecedor desempenha um papel crítico na operação da empresa contratante, o impacto pode ser significativo.
Estudos sobre gestão de riscos na cadeia de suprimentos mostram que interrupções em fornecedores críticos podem gerar perdas operacionais relevantes.
Uma pesquisa da McKinsey & Company (2020) identificou que as perdas esperadas devido a interrupções na cadeia de suprimentos equivalem, em média, a 42% do EBITDA (Lucro Antes dos Juros, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização) anual ao longo de uma década.
Quando o problema decorre de escândalos ou irregularidades, a substituição do fornecedor também tende a ser mais difícil e urgente, o que aumenta custos e complexidade.
A reputação corporativa é outro ativo diretamente impactado quando empresas mantêm relações comerciais com organizações envolvidas em escândalos.
Investidores, reguladores e consumidores analisam cada vez mais toda a cadeia de valor, e não apenas as operações diretas da empresa.
Esse movimento está diretamente ligado à evolução da agenda ESG.
O World Economic Forum destaca que grande parte dos riscos ambientais, sociais e de governança ocorre fora das operações diretas das empresas, especialmente na cadeia de fornecedores.
Estudos indicam que até 85% dos impactos ambientais, sociais e relacionados à governança (ESG) ocorrem na cadeia de suprimentos, incluindo mais de 90% das emissões associadas ao fornecimento de produtos e serviços de uma empresa.
Quando um fornecedor se envolve em escândalos, a empresa contratante pode ser associada ao problema, especialmente se não demonstrar mecanismos de controle e governança.
Esse efeito reputacional é ainda mais forte em setores regulados ou em empresas que dependem de contratos públicos e grandes cadeias de suprimentos.
Outro ponto relevante é o chamado efeito cascata de risco.
Quando um fornecedor enfrenta problemas de integridade ou solvência financeira, o impacto pode se propagar pela cadeia produtiva.
Isso ocorre porque:
Esse efeito é especialmente relevante em setores que dependem de fornecedores especializados ou tecnologias específicas.
Por isso, a gestão moderna de fornecedores não se limita à contratação inicial, mas exige monitoramento contínuo de riscos legais, financeiros e reputacionais.
Nos últimos anos, reguladores internacionais têm reforçado a exigência de controle sobre terceiros.
Veja exemplos!
Aprovado no Reino Unido em 2010, é uma das legislações anticorrupção mais rigorosas do mundo e estabelece responsabilidade corporativa quando uma empresa falha em prevenir práticas de suborno.
A lei criminaliza oferecer, prometer ou receber vantagens indevidas e inclui um dispositivo específico chamado failure to prevent bribery, que responsabiliza empresas por atos cometidos por pessoas ou organizações que atuem em seu nome, como intermediários, consultores ou fornecedores.
Por isso, a legislação exige que as organizações adotem procedimentos adequados de prevenção, incluindo due diligence de terceiros, políticas anticorrupção, treinamento e monitoramento de parceiros comerciais.
Promulgado nos Estados Unidos em 1977, proíbe empresas e indivíduos de oferecer pagamentos ou benefícios indevidos a agentes públicos estrangeiros para obter vantagens comerciais.A lei também estabelece exigências rigorosas de controles internos e registros contábeis, obrigando empresas a manter sistemas capazes de prevenir e detectar práticas ilícitas.Um aspecto central do FCPA é que empresas podem ser responsabilizadas por atos de terceiros que atuem em seu nome (como distribuidores, consultores ou parceiros comerciais) caso não tenham realizado due diligence adequada e monitoramento de integridade na cadeia de relações comerciais.
Diretiva de Due Diligence em Sustentabilidade da União Europeia (CSDDD)
É uma diretiva da União Europeia que estabelece obrigações para que grandes empresas identifiquem, previnam, mitiguem e respondam a impactos negativos relacionados a direitos humanos e meio ambiente ao longo de toda a cadeia de valor.
A norma exige que organizações realizem processos estruturados de due diligence sobre fornecedores e parceiros comerciais, incluindo:
- avaliação de riscos;
- implementação de medidas preventivas;
- monitoramento contínuo;
- mecanismos de reparação quando forem identificadas violações.
Com isso, a CSDDD reforça que a responsabilidade empresarial se estende para além das operações diretas, alcançando também fornecedores, subcontratados e parceiros da cadeia produtiva.
Essas normas ampliam a expectativa de que empresas conheçam, monitorem e gerenciem os riscos presentes em sua cadeia de fornecedores.
No Brasil, esse movimento também se reflete em auditorias, exigências de programas de integridade e políticas de governança corporativa.
Empresas que não estruturam processos adequados de avaliação de terceiros podem enfrentar dificuldades em:
Para evitar riscos legais, operacionais e reputacionais associados à contratação de fornecedores irregulares é essencial adotar uma gestão estruturada de terceiros.
No entanto, não basta apenas avaliar um fornecedor no momento da contratação, mas ter processos contínuos de due diligence, monitoramento e controle documental ao longo de todo o ciclo de relacionamento com fornecedores.
Um dos primeiros passos é realizar avaliações prévias de integridade e conformidade antes de iniciar qualquer parceria comercial.
Isso inclui a verificação de aspectos como histórico jurídico, situação financeira, cumprimento de obrigações legais, certificações, licenças e regularidade documental. Essa análise permite identificar riscos relevantes antes que eles se materializem na operação da empresa.
Além da avaliação inicial, é fundamental estabelecer processos padronizados de homologação de fornecedores.
Empresas com maiores níveis de maturidade estruturam fluxos formais de qualificação, exigindo documentação obrigatória, evidências de conformidade e validação interna antes que o fornecedor seja aprovado para contratação.
Isso reduz a probabilidade de que organizações sem capacidade técnica, jurídica ou financeira adequada ingressem na cadeia de suprimentos.
Outro ponto crítico é o monitoramento contínuo da regularidade dos fornecedores. A situação de um parceiro comercial pode mudar ao longo do tempo, seja por dificuldades financeiras, problemas regulatórios ou envolvimento em investigações.
Por isso, a gestão de fornecedores deve incluir revisões periódicas, atualização de documentos e acompanhamento constante de indicadores de risco.
Esse processo se torna ainda mais relevante em empresas que lidam com grandes volumes de terceiros ou cadeias de fornecimento complexas. Nessas situações, controles manuais baseados em planilhas ou e-mails tendem a gerar fragmentação de informações, falta de rastreabilidade e maior exposição a riscos.
É nesse contexto que soluções tecnológicas especializadas ganham importância. Plataformas dedicadas à gestão de fornecedores permitem:
O Sistema de Gestão de Fornecedores da Greenlegis foi desenvolvida justamente para estruturar esse processo de governança. A solução permite que empresas organizem e padronizem a relação com terceiros por meio de funcionalidades como:
Com esse tipo de estrutura, a empresa deixa de depender de controles descentralizados e passa a operar com processos auditáveis e baseados em evidências, o que é essencial em auditorias de compliance, certificações ISO e programas de integridade.
Mais do que uma ferramenta operacional, a gestão estruturada de fornecedores se torna um instrumento de governança corporativa e gestão de riscos.
Ao implementar processos de due diligence e monitoramento contínuo, as empresas reduzem significativamente a exposição a irregularidades na cadeia de suprimentos e fortalecem sua capacidade de prevenir crises reputacionais, legais e operacionais.
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Contratar fornecedores sem avaliar adequadamente sua integridade, estabilidade financeira e histórico reputacional é um risco que vai muito além do contrato.
Empresas podem enfrentar:
À medida que a agenda ESG e os programas de compliance evoluem, a expectativa do mercado é clara: empresas precisam conhecer e monitorar sua cadeia de fornecedores.
Em um ambiente regulatório cada vez mais exigente, a gestão estruturada de terceiros deixou de ser uma boa prática. Ela se tornou um requisito fundamental para a governança corporativa e a sustentabilidade dos negócios.
Redação: Bruna Andrade
Consultora Especialista em Gestão ESG e Cadeia de Suprimentos