A COP 30 marcou um ponto de inflexão na agenda climática global ao deslocar o foco da descarbonização de empresas isoladas para a cadeia de suprimentos como um todo.
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O debate deixou de girar apenas em torno de compromissos voluntários e metas genéricas e passou a enfatizar medição, rastreabilidade e gestão efetiva das emissões de carbono, especialmente aquelas classificadas como Escopo 3.
Para empresas com cadeias de fornecimento complexas, a mensagem foi clara: competitividade internacional, acesso a mercados e continuidade de contratos passam a depender da capacidade de demonstrar controle sobre as emissões indiretas.
Esse movimento afeta não apenas grandes corporações, mas toda a rede de fornecedores conectada a elas, no Brasil e no exterior.
O GHG Protocol é o principal padrão internacional para contabilização de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e estrutura os inventários corporativos em três categorias.
Isso explica por que ele deixou de ser tratado como um tema secundário e passou a ocupar posição central nas discussões da COP 30.
Na prática, medir e gerenciar o Escopo 3 significa olhar além dos limites operacionais da empresa e assumir responsabilidade sobre:
É justamente nesse ponto que surgem os maiores desafios e os maiores riscos de não conformidade.
Lei do Mercado de Carbono: Novas Regras e Impactos para Empresas
Durante a COP 30, consolidou-se a percepção de que não basta uma empresa apresentar bons indicadores ambientais se sua cadeia de fornecedores não acompanha o mesmo padrão.
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A maior parte das emissões de carbono está concentrada fora das operações diretas das empresas, o que torna insuficientes estratégias focadas apenas nos escopos 1 e 2.
A conferência reforçou que a conformidade climática passa a ser um critério econômico, influenciando decisões de compra, investimento, financiamento e seguro.
Pressões regulatórias e contratuais estão crescendo e o futuro é ainda mais delicado, exigindo que empresas comprovem, de forma estruturada, a gestão dos escopos 1, 2 e 3.
Esse cenário se materializa em diferentes frentes:
Como consequência, a gestão de riscos empresariais deixa de ser apenas financeira ou operacional e passa a incluir riscos climáticos, reputacionais e de compliance. Na prática, isso significa que o fornecedor do fornecedor também entra no radar das empresas líderes.
O avanço das exigências relacionadas ao carbono tem efeitos diretos sobre a forma como as cadeias de suprimentos são estruturadas e geridas. Um dos impactos mais imediatos é a demanda por dados confiáveis, consistentes e auditáveis.
Grandes empresas, pressionadas por reguladores, investidores e mercados internacionais, passam a exigir de seus fornecedores:
Nesse contexto, fornecedores que não conseguem mensurar ou demonstrar suas emissões acabam ficando em desvantagem competitiva.
A ausência de dados deixa de ser apenas uma fragilidade técnica e passa a representar um risco comercial real, com potencial de exclusão de contratos e de cadeias globais.
Ao mesmo tempo, critérios ESG deixam de funcionar como diferencial reputacional e passam a integrar:
A sustentabilidade, nesse cenário, se consolida como pré-requisito para fazer negócios, e não mais como um atributo opcional.
Outro ponto relevante destacado na COP 30 foi o impacto das mudanças climáticas e das emissões indiretas sobre o mercado segurador.
Eventos extremos, desastres naturais e riscos associados ao carbono passam a influenciar diretamente a forma como seguros são estruturados, precificados e subscritos.
As seguradoras começam a incorporar o Escopo 3 em suas análises de risco, considerando não apenas as operações diretas das empresas seguradas, mas também a exposição climática de suas cadeias produtivas.
Isso impulsiona o desenvolvimento de seguros climáticos e instrumentos financeiros de adaptação, que passam a integrar estratégias de mitigação de riscos tanto para empresas quanto para comunidades mais vulneráveis.
Nesse novo arranjo, o setor de seguros deixa de atuar apenas como agente de cobertura de perdas e assume um papel mais ativo na construção da resiliência climática, alinhando-se às exigências e diretrizes discutidas na COP 30.
O movimento iniciado e reforçado pela COP 30 aponta para uma transformação estrutural na gestão das cadeias de suprimentos.
A avaliação detalhada de conformidade ambiental tende a se tornar prática comum, incorporando análises de:
Processos manuais e planilhas isoladas deixam de ser suficientes diante da complexidade e da frequência das exigências. Empresas passam a investir em tecnologia para coletar, validar e atualizar informações de emissões de forma contínua e integrada.
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Mesmo organizações que atuam predominantemente no mercado brasileiro não ficam imunes a esse movimento: requisitos de compradores internacionais, regras de financiamento verde e normas globais de reporte acabam exercendo pressão regulatória indireta, impactando cadeias produtivas locais.
Cresce também a ideia de responsabilidade compartilhada, na qual empresas âncora apoiam seus fornecedores na medição de emissões, capacitação e definição de metas conjuntas de redução de carbono.
Empresas que se antecipam às exigências associadas ao carbono e ao Escopo 3 tendem a colher benefícios estratégicos relevantes. Entre eles estão:
Além disso, a capacidade de demonstrar controle sobre as emissões fortalece relações comerciais e posiciona a empresa de forma mais sólida em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso.
Ignorar as sinalizações da COP 30 e postergar a gestão das emissões indiretas pode gerar consequências significativas.
Empresas e fornecedores que não se adaptarem correm o risco de:
Em um cenário de crescente integração entre clima, economia e compliance, a inação passa a ter um custo elevado.
A COP 30 deixou claro que a gestão de emissões de carbono ao longo da cadeia de fornecedores deixou de ser uma agenda futura. O Escopo 3 do GHG Protocol se consolida como um dos principais vetores de transformação da gestão empresarial, conectando sustentabilidade, risco, conformidade e estratégia de negócios.
Para empresas brasileiras, o desafio é significativo, mas as oportunidades são proporcionais. Quem estruturar desde já processos, dados e governança para lidar com as exigências climáticas não apenas atende às novas regras do jogo, mas se posiciona de forma competitiva na economia de baixo carbono que está se consolidando globalmente.
Empresas que estruturam processos para monitorar fornecedores, comprovar critérios ESG e manter dados auditáveis ganham acesso a mercados, reduzem riscos legais e fortalecem sua reputação.
A Greenlegis apoia esse movimento ao centralizar a gestão de fornecedores, requisitos legais e informações ambientais em uma única plataforma, facilitando a rastreabilidade e a governança exigidas pelo novo cenário climático.
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Redação: Isis Maia - Consultora Especialista em ESG, Cadeia de Fornecedores e Trabalhadores
OAB/MG 245. 434