COP 30 e exigências climáticas: como o carbono e o Escopo 3 estão redefinindo a cadeia de suprimentos

Written by Isis Maia | 05/02/26 13:05

A COP 30 marcou um ponto de inflexão na agenda climática global ao deslocar o foco da descarbonização de empresas isoladas para a cadeia de suprimentos como um todo.

Confira como garantir a sustentabilidade da sua cadeia de produção!

O debate deixou de girar apenas em torno de compromissos voluntários e metas genéricas e passou a enfatizar medição, rastreabilidade e gestão efetiva das emissões de carbono, especialmente aquelas classificadas como Escopo 3.

Para empresas com cadeias de fornecimento complexas, a mensagem foi clara: competitividade internacional, acesso a mercados e continuidade de contratos passam a depender da capacidade de demonstrar controle sobre as emissões indiretas.

Esse movimento afeta não apenas grandes corporações, mas toda a rede de fornecedores conectada a elas, no Brasil e no exterior.

Escopo 3 do GHG Protocol: por que ele se tornou o centro das exigências climáticas

O GHG Protocol é o principal padrão internacional para contabilização de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e estrutura os inventários corporativos em três categorias.

  • Escopo 1: emissões diretas da empresa (combustão, frota própria, processos).
  • Escopo 2: emissões indiretas associadas à energia comprada.
  • Escopo 3: todas as demais emissões indiretas da cadeia de valor.

De acordo com o World Resources Institute (WRI), o Escopo 3 pode representar mais de 70% das emissões totais de empresas inseridas em cadeias globais, especialmente nos setores industrial, agroindustrial, logístico, químico, energético e de bens de consumo.

Isso explica por que ele deixou de ser tratado como um tema secundário e passou a ocupar posição central nas discussões da COP 30.

Na prática, medir e gerenciar o Escopo 3 significa olhar além dos limites operacionais da empresa e assumir responsabilidade sobre:

  • como matérias-primas são produzidas;
  • como fornecedores operam;
  • como produtos circulam ao longo da cadeia.

É justamente nesse ponto que surgem os maiores desafios e os maiores riscos de não conformidade.

Lei do Mercado de Carbono: Novas Regras e Impactos para Empresas

A COP 30 e a mudança de paradigma: da empresa “verde” à cadeia rastreável

Durante a COP 30, consolidou-se a percepção de que não basta uma empresa apresentar bons indicadores ambientais se sua cadeia de fornecedores não acompanha o mesmo padrão.

e-Book Gratuito: Como garantir sustentabilidade na sua cadeia de produção

A maior parte das emissões de carbono está concentrada fora das operações diretas das empresas, o que torna insuficientes estratégias focadas apenas nos escopos 1 e 2.

A conferência reforçou que a conformidade climática passa a ser um critério econômico, influenciando decisões de compra, investimento, financiamento e seguro.

Pressões regulatórias e contratuais estão crescendo e o futuro é ainda mais delicado, exigindo que empresas comprovem, de forma estruturada, a gestão dos escopos 1, 2 e 3.

Esse cenário se materializa em diferentes frentes:

  • contratos com fornecedores começam a exigir inventários de emissões;
  • exportações passam a depender de critérios ambientais verificáveis;
  • financiamentos incorporam métricas climáticas como parte da análise de risco.

Como consequência, a gestão de riscos empresariais deixa de ser apenas financeira ou operacional e passa a incluir riscos climáticos, reputacionais e de compliance. Na prática, isso significa que o fornecedor do fornecedor também entra no radar das empresas líderes.

Como as exigências climáticas impactam a cadeia de fornecedores

O avanço das exigências relacionadas ao carbono tem efeitos diretos sobre a forma como as cadeias de suprimentos são estruturadas e geridas. Um dos impactos mais imediatos é a demanda por dados confiáveis, consistentes e auditáveis.

Grandes empresas, pressionadas por reguladores, investidores e mercados internacionais, passam a exigir de seus fornecedores:

  • inventários de GEE alinhados ao GHG Protocol;
  • metodologias para mensuração reconhecidas e alinhadas GHG Protocol;
  • evidências documentais que comprovem a origem e a qualidade das informações.

Nesse contexto, fornecedores que não conseguem mensurar ou demonstrar suas emissões acabam ficando em desvantagem competitiva.

A ausência de dados deixa de ser apenas uma fragilidade técnica e passa a representar um risco comercial real, com potencial de exclusão de contratos e de cadeias globais.

Ao mesmo tempo, critérios ESG deixam de funcionar como diferencial reputacional e passam a integrar:

  • processos formais de homologação de fornecedores;
  • contratos de longo prazo;
  • estratégias de acesso a mercados internacionais, especialmente na Europa e na América do Norte.

A sustentabilidade, nesse cenário, se consolida como pré-requisito para fazer negócios, e não mais como um atributo opcional.

Carbono, risco climático e o novo papel do setor de seguros

Outro ponto relevante destacado na COP 30 foi o impacto das mudanças climáticas e das emissões indiretas sobre o mercado segurador.

Eventos extremos, desastres naturais e riscos associados ao carbono passam a influenciar diretamente a forma como seguros são estruturados, precificados e subscritos.

As seguradoras começam a incorporar o Escopo 3 em suas análises de risco, considerando não apenas as operações diretas das empresas seguradas, mas também a exposição climática de suas cadeias produtivas.

Isso impulsiona o desenvolvimento de seguros climáticos e instrumentos financeiros de adaptação, que passam a integrar estratégias de mitigação de riscos tanto para empresas quanto para comunidades mais vulneráveis.

Nesse novo arranjo, o setor de seguros deixa de atuar apenas como agente de cobertura de perdas e assume um papel mais ativo na construção da resiliência climática, alinhando-se às exigências e diretrizes discutidas na COP 30.

Tendências para os próximos anos: o que as empresas precisam antecipar

O movimento iniciado e reforçado pela COP 30 aponta para uma transformação estrutural na gestão das cadeias de suprimentos.

Due diligence climática

A avaliação detalhada de conformidade ambiental tende a se tornar prática comum, incorporando análises de:

  • pegada de carbono;
  • exposição a riscos climáticos;
  • históricos de conformidade ambiental de fornecedores.

Digitalização dos dados ESG

Processos manuais e planilhas isoladas deixam de ser suficientes diante da complexidade e da frequência das exigências. Empresas passam a investir em tecnologia para coletar, validar e atualizar informações de emissões de forma contínua e integrada.

Automatize a gestão da sua cadeia de produção com a Greenlegis!

Pressão regulatória cruzada

Mesmo organizações que atuam predominantemente no mercado brasileiro não ficam imunes a esse movimento: requisitos de compradores internacionais, regras de financiamento verde e normas globais de reporte acabam exercendo pressão regulatória indireta, impactando cadeias produtivas locais.

Responsabilidade compartilhada

Cresce também a ideia de responsabilidade compartilhada, na qual empresas âncora apoiam seus fornecedores na medição de emissões, capacitação e definição de metas conjuntas de redução de carbono.

Benefícios para quem se adapta ao novo cenário climático

Empresas que se antecipam às exigências associadas ao carbono e ao Escopo 3 tendem a colher benefícios estratégicos relevantes. Entre eles estão:

  • acesso facilitado a mercados internacionais;
  • maior atratividade para investidores e financiamentos sustentáveis;
  • redução de riscos legais e reputacionais.

Além disso, a capacidade de demonstrar controle sobre as emissões fortalece relações comerciais e posiciona a empresa de forma mais sólida em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso.

Os riscos de ficar para trás na agenda da COP 30

Ignorar as sinalizações da COP 30 e postergar a gestão das emissões indiretas pode gerar consequências significativas.

Empresas e fornecedores que não se adaptarem correm o risco de:

  • exclusão de cadeias globais;
  • perda de contratos estratégicos;
  • dificuldades de acesso a crédito e seguros;
  • danos reputacionais difíceis de reverter.

Em um cenário de crescente integração entre clima, economia e compliance, a inação passa a ter um custo elevado.

O primeiro passo para uma agenda de sustentabilidade é a gestão da conformidade legal! Veja como isso funciona na prática.

Conclusão: o carbono na cadeia de suprimentos já é uma exigência do presente

A COP 30 deixou claro que a gestão de emissões de carbono ao longo da cadeia de fornecedores deixou de ser uma agenda futura. O Escopo 3 do GHG Protocol se consolida como um dos principais vetores de transformação da gestão empresarial, conectando sustentabilidade, risco, conformidade e estratégia de negócios.

Para empresas brasileiras, o desafio é significativo, mas as oportunidades são proporcionais. Quem estruturar desde já processos, dados e governança para lidar com as exigências climáticas não apenas atende às novas regras do jogo, mas se posiciona de forma competitiva na economia de baixo carbono que está se consolidando globalmente.

Plataforma Greenlegis: para empresas que se preocupam com riscos na cadeia de produção

Empresas que estruturam processos para monitorar fornecedores, comprovar critérios ESG e manter dados auditáveis ganham acesso a mercados, reduzem riscos legais e fortalecem sua reputação.

A Greenlegis apoia esse movimento ao centralizar a gestão de fornecedores, requisitos legais e informações ambientais em uma única plataforma, facilitando a rastreabilidade e a governança exigidas pelo novo cenário climático.

Conheça a Greenlegis e fortaleça sua estratégia de conformidade ambiental e ESG!

Redação: Isis Maia - Consultora Especialista em ESG, Cadeia de Fornecedores e Trabalhadores 
OAB/MG 245. 434