5 tendências ESG para a cadeia de fornecedores
A maior parte dos impactos ambientais, sociais e de governança de uma empresa não está dentro dos seus muros, mas na sua cadeia de suprimentos. É por isso que não existe ESG consistente sem gestão estruturada da cadeia de fornecedores.
Até 85% dos impactos ambientais, sociais e relacionados à governança (ESG) ocorrem na cadeia de suprimentos, incluindo mais de 90% das emissões associadas ao fornecimento de produtos e serviços de uma empresa.
Isso significa que, se o impacto está nos fornecedores, é por lá que a governança precisa começar.
Confira a seguir um artigo sobre:
- a importância da gestão de fornecedores para a agenda ESG da sua empresa;
- a importância de seguir as novas tendências;
- Como sua empresa pode se adaptar a elas.
1. Gestão de fornecedores como eixo central do ESG
Durante anos, muitas empresas concentraram esforços ESG apenas nas suas operações diretas. Hoje, isso é insuficiente, pois já é sabido que grande parte dos riscos ambientais, sociais e de governança estão na cadeia de produção.
É por isso que, para fechamento de contratos comerciais e parcerias, as corporações estão:
- avaliando os fornecedores dos parceiros como parte dos critérios ESG formais;
- levando todas as partes envolvidas na cadeia de produção em consideração nas análises de compliance.
De forma resumida: os fornecedores da sua empresa impactam diretamente nos seus indicadores socioambientais e de governança e por isso contabilizam pontos (negativos e positivos) nos processos de homologação!
A lógica é simples: não gerenciar fornecedores é assumir riscos ESG invisíveis e potencialmente críticos.
2. Rastreamento e transparência deixam de ser opcionais
Outra grande tendência do mercado ESG para a gestão de fornecedores é a obrigatoriedade prática de rastreamento e transparência.
Isso significa não apenas mapear toda a cadeia de fornecimento e identificar riscos socioambientais e de governança associados a ela, mas também dar visibilidade a forma como a sua empresa lida com esses assuntos.
A transparência é um fator fundamental para conferir mais segurança ao fechamento de acordos comerciais, pois revela a maturidade das empresas e capacidade de materializar os compromissos defendidos!
3. Monitoramento de emissões indiretas (Escopo 3)
O Escopo 3 (conceito estabelecido pelo GHG Protocol) envolve emissões indiretas da cadeia de valor, como transporte, matérias-primas e serviços terceirizados.
Investidores e reguladores já tratam essa medição como padrão mínimo para estabelecimento de contratos e acordos. O motivo é simples:
De acordo com o World Resources Institute (WRI), o Escopo 3 pode representar mais de 70% das emissões totais de empresas inseridas em cadeias globais, especialmente nos setores industrial, agroindustrial, logístico, químico, energético e de bens de consumo.
Isso significa que uma indústria que não mede emissões de fornecedores pode ter seu inventário de carbono incompleto, comprometendo metas climáticas e acesso a financiamentos sustentáveis.
Leia mais sobre o Escopo 3 e a cadeia de fornecedores!
No Brasil, as movimentações para a criação de um mercado de carbono estão a todo vapor com a sanção da Lei nº 15.042, que regulamenta o mercado de créditos de carbono.
Os fornecedores não estão expressamente incluídos nas determinações da Lei 15.042, mas entram em outros contextos, como no inventário de emissões (Escopo 3) e em parcerias em projetos de descarbonização.
4. Pressão do mercado e novos marcos regulatórios
O mercado está cada vez mais regulado e as exigências também se estendem aos fornecedores. É por isso que se intensificam os processos de monitoramento regulatório e due diligence de terceiros, para requisitos ambientais, sociais e de governança.
Na Europa, por exemplo, a due diligence é obrigatória para algumas empresas e a exigência se estende à cadeia de valor. A determinação foi instituída pela Diretiva 2024/1760 e afeta principalmente as grandes corporações, mas há efeitos em todas as outras empresas ligadas a elas.
Due Diligence de fornecedores: o que é e como fazer!
Organizações que não acompanham a tendência passam por problemas a curto e longo prazos, como:
- Exclusão de contratos;
- Perda de investidores;
- Dificuldade de acesso a crédito;
- Danos reputacionais.
5. Digitalização e sistemas de compliance ESG
A digitalização dos processos já era uma tendência crescente e foi intensificada com a pandemia da Covid-19.
68% das empresas B2B do Brasil afirmam que hoje estão mais digitais do que eram no início da pandemia
73% passaram a usar mais ferramentas digitais desde o início de 2020.
Digitalizar processos é economizar tempo, dinheiro e recursos naturais!
Os motivos são variados:
- Rastreabilidade e organização;
- Atualização em tempo real;
- Evidências organizadas;
- Histórico auditável;
- Otimização de jornadas.
No contexto da cadeia de fornecedores, a lógica não seria diferente. É comum, cada vez mais, o uso de plataformas de gestão de requisitos e indicadores ESG de terceiros.
Digitalizar a cadeia significa:
- Identificar e reduzir vulnerabilidades;
- Antecipar e atenuar riscos com mais facilidade;
- Otimizar rotinas de auditoria;
- Estruturar governança baseada em dados reais e auditáveis.
Quais os impactos de não seguir as tendências ESG na cadeia?
Empresas que ignorar essa transformação e não acompanham as tendências sofrem com:
- Riscos jurídicos, como responsabilizações por irregularidades trabalhistas e ambientais na cadeia.
- Riscos financeiros, como perda de contratos, multas, restrição de crédito e aumento de custo de capital.
- Riscos reputacionais, como exposições negativas e perda de confiança do mercado.
- Riscos operacionais, como interrupções na cadeia por fornecedores não sustentáveis ou não conformes.
- Riscos estratégicos, como desalinhamento com metas climáticas e compromissos públicos.
Guia para mapear os riscos legais da sua empresa!
Como as empresas devem se adaptar às tendências ESG na cadeia de fornecedores
A adaptação às tendências ESG para a cadeia de produção exige planejamento e direcionamento. Isso inclui uma série de etapas como:
1. Mapear a cadeia de suprimentos
- Identificar todos os fornecedores (especialmente os críticos);
- Classificar cada fornecedor por risco ESG e ter planos de contenção de danos;
- Avaliar grau de dependência a cada fornecedor e ter sempre outras opções como plano B.
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2. Definir critérios objetivos de avaliação mensuráveis
- Requisitos ambientais
- Requisitos trabalhistas
- Critérios de governança
3. Estruturar processo de homologação ESG
- Due diligence pré-contratual
- Questionários padronizados e organizados
- Coleta de evidências reais e válidas
- Auditorias periódicas
4. Monitorar continuamente
- Atualização documental constante
- Acompanhamento de indicadores de desempenho
- Planos de ação para contorno de não conformidades
- Relatórios consolidados frequentes com pontos positivos e negativos
5. Investir em tecnologia
Sistemas de gestão de fornecedores permitem:
- Centralização de documentos
- Monitoramento em tempo real
- Relatórios para auditorias
- Rastreabilidade histórica
- Contato com a cadeia de produção
6. Desenvolver fornecedores
- Programas educativos
- Treinamentos recorrentes
- Manuais de boas práticas
- Apoio técnico
Construindo cadeias éticas, resilientes e alinhadas às metas climáticas
Empresas referência no mercado estão priorizando fornecedores que:
- Comprovem práticas sustentáveis;
- Reduzam emissões;
- Adotem padrões de integridade;
- Demonstrem conformidade trabalhista.
O motivo é que isso cria cadeias:
- Mais transparentes;
- Mais seguras;
- Mais previsíveis;
- Mais alinhadas às metas ESG globais.
Conclusão: Não existe ESG sem gestão de fornecedores
ESG deixou de ser uma pauta interna e passou a ser uma responsabilidade compartilhada com a cadeia de fornecedores.
Com 80–90% dos impactos concentrados na cadeia de valor, não gerenciar fornecedores significa:
- Não controlar riscos;
- Não medir impacto real;
- Não sustentar metas climáticas;
- Não proteger a reputação;
- Greenwashing;
- E ainda perder dinheiro.
A nova agenda empresarial demanda mais governança na cadeia de suprimentos e as empresas que estruturarem essa gestão agora terão vantagem competitiva, segurança jurídica e sustentabilidade real no longo prazo.
Gestão de Fornecedores na Prática: Veja como a ENGIE reduziu riscos e otimizou processos com a tecnologia da Greenlegis
Após avaliar mais de 10 ferramentas disponíveis mercado, a ENGIE optou pela plataforma Greenlegis, única que atendia aos critérios técnicos e legais definidos internamente — e que oferecia suporte especializado.

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Redação: Bruna Andrade
Consultora Especialista em Gestão ESG e Cadeia de Suprimentos